segunda-feira, 8 de setembro de 2008

PROCURA-SE PAPAI NOEL DE BARBA NATURAL. HÃ?


Abro a página de Classificados, Empregados procurados e me deparo com o anúncio: papai Noel de barba natural. Huahauhahauhaua.
Imaginei o camarada preenchendo ficha de crediário. Profissão: papai Noel de barba natural. Se o mercado formal está cada vez mais exigente, por que o informal não estaria? Um pede MBA, dois idiomas, experiência mínima de cinco anos comprovada em carteira. O outro pede barba natural. Hã?
O surpreendente é que o cara deve hibernar 11 meses por ano. Sendo papai Noel profissional, com barba natural e personalizada, deve pegar uns bicos como dublê do Hermeto no máximo. Deve comer uma vez por ano, no dia primeiro, porque no Natal está de serviço. Deve ter um treino físico específico para o tríceps, afinal, balançar o sino oito horas por dia não deve ser pra qualquer um.
Fiquei pensando como seria pra mulher ser uma mamãe Noel profissa. Sei lá, acho que não conseguiremos ser competitivas nesse segmento. Só se for aquelas mamães noelas que fazem propaganda de Lingerie de sex shop. E daí definitivamente é melhor não ter barba nem bigode naturais!
Na verdade ela só precisa ter cabeça porque o chapeuzinho é o essencial. O resto é uma questão de superficialidade. Um plus no visual.
Só sei que fiquei impressionada. Estamos no início da segunda semana de setembro e estão querendo um papai Noel de barba natural nos jornais. Me parece um tanto cedo e um pouco estranho. Será que vai ter curso técnico pra ser papai Noel profi, rena do nariz vermelho, Pinóquio, Branca de neve? O mercado em expansão, vai saber né?
Resolvi personalizar. Como simples Alexandra posso perder oportunidades.
Vou me anunciar como mulher cabeça de telinha de mamão. Deve ser hiper valorizado! Pensa, não deve ter muitas. É, vou fazer isso, vou anunciar essa minha nova habilidade. Cabeça de melão é muito batido, mas cabeça de telinha de mamão papaya, não! O que eu faço com isso? Sei lá! Eu existo poxa!

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

O PRÊMIO NOSSO DE CADA DIA


Uma homenagem por dedicação ao meio ambiente no segmento jornalístico. Esse foi o convite que recebi do gabinete do Vereador Paulo Oya, por intermédio de seu assessor, Denis, alguém que podíamos sempre contar na época em que atuei no Instituto Jequitibá.
Na hora fiquei surpresa. Conversei bastante com o Denis e fiquei refletindo. Pensei a princípio que um prêmio, ou uma homenagem é sempre decorrente de uma solução. Um Case resolvido. Cruzar a reta de chegada em tempo menor que o adversário, a melhor coreografia, a conquista de algo, a solução de um caso.
Nesse sentido, receber um prêmio por minha atuação ambiental parecia injusto. Eu pensava: o quê de fato mudou em decorrência do que minhas mãos escreveram, do que minha boca proferiu, minha máquina registrou? Imediatamente “as luzes” se apagaram e uma espécie de retrospectiva começou a rodar na minha mente.
O interesse pelas causas ambientais vinha desde a faculdade, aulas do Professor Pedro, tudo muito solto ainda dentro de mim. Parecia que havia algo pronto, edificado, onde eu entraria e conseguiria somar resultados contra a degradação ambiental.
Recém formada fui trabalhar num jornal Valinhense chamado Gazeta Metropolitana. Lá começava um contato direto com as causas ambientais. Problemas que pediam soluções. Além de todas as demandas rotineiras de uma redação, as questões “verdes” eram sempre pautadas e cada pauta renderia um livro ou livreto no mínimo.
Discussões sobre o destino dos lixos das cidades da nossa região, hoje destinados ao aterro de Paulínia. De quebra, as questões sobre o lixo reciclado, tão debatidas, mas fatalmente pouco aplicadas, sendo a nossa, uma das regiões de maior consumo de produtos geradores de resíduos reutilizáveis.
Depois do jornal, o Instituto Jequitibá me proporcionou mais experiências.
De tudo que vi e vivi, o que posso garantir é que, diferente de uma competição esportiva por exemplo, onde para um ganhar, o outro tem sempre que perder, nas questões ambientais, os danos são coletivos. Pode demorar um pouco mais, um pouco menos, mas todo mundo sentirá. Não há como degradar um trecho de uma bacia hidrográfica e achar que a cidade vizinha não irá sofrer com isso. Portando, é melhor começarmos a compartilhar vitórias.
Como? Isso foi algo que perguntei e me pergunto todo santo dia, e na verdade, é preciso em primeiro lugar de paciência e em segundo, de atitude consciente para construir algo novo. Todo mundo sabe que reformar dá mesmo mais trabalho que construir e a reforma no caso da humanidade, é menos física do que comportamental. Reciclar a mentalidade, a cultura, os hábitos e os interesses. O resto é conseqüência.
Em alguns casos, a contaminação, além do estrago ambiental afeta diretamente um grupo de pessoas. No Simpósio de Trabalhadores contaminados por substâncias químicas, realizado na cidade de Santos, no ano de 2005, nossos colegas do Sindicato dos Químicos de Campinas levaram o caso da Shell Basf, de Paulínia, onde o Rasteiro, representante do grupo, colocou a sua realidade de contaminado. No seu caso, a barriga tão dispensada pela maioria dos homens, é justamente o que o protege do contato das substâncias tóxicas com a corrente sanguínea. Conheci pessoas que vieram da Bahia na ocasião, representando os contaminados por Amianto. Em 2005 o Brasil era um dos únicos países a produzir telhas de amianto ainda. Essa substância, quando inalada causa asbestose, um enrijecimento pulmonar que leva a morte. Uma das vítimas do “Césio 137” também estava lá. Lembrei de ter visto na minha infância a matéria informando da contaminação de uma família toda que havia entrado em contato com uma substância radioativa de um equipamento descartado de maneira irregular. E haviam muitos outros casos. A dentista que perdeu o marido em três dias vitimado por uma leucemia que só acontece em caso de contaminação química. A Petrobrás havia dado a causa mortis como natural. Era uma guerreira. Lutando contra o quê? Talvez contra a ausência de responsabilidade, de consciência de uma cultura altruísta, de valorização do ser humano.
Realidades diferentes para relatar histórias com conseqüências semelhantes e tratamento também. A justiça: lenta, muito lenta e a mercê de interesses econômicos, claro. Sabemos que é assim.
Bem pertinho de nós, em Santo Antonio de Posse, o caso do Aterro Mantovani, com 320 mil toneladas de substâncias químicas a céu aberto interagindo há 30 anos. As empresas que lançaram o lixo? Discutem o pagamento proporcional à quantidade despejada ou tentam transferir a responsabilidade para seus clientes. Enquanto isso, as famílias que vivem do trato da terra aguardam solução, com seus poços d’água lacrados e o futuro incerto.
Como jornalista, posso dizer que é preciso compartilhar essas informações, acreditem vocês, pouquíssimo divulgadas na imprensa convencional, e torcer para que de alguma forma, essa exposição acelere o resultado das soluções.
Mas, como cidadã e ser humano, não posso acreditar que esse seja um tema de atuação individual. A parábola da floresta incendiada, onde um beija-flor transportava água em seu biquinho para ajudar no combate ao fogo é um princípio fundamental para mudar o cenário atual de degradação. Cada um sentindo essa imensa extensão de 510 milhões de quilômetros quadrados como seu grande quintal. Mas não podemos nos iludir. O poder público e a sociedade civil precisam caminhar juntos. Nesse “jogo”, ninguém ganha sozinho. Sem pensar em culpados, em erros. A condição do planeta hoje pede que sejamos agentes de solução. Dando as mãos e olhando pra frente. O ritmo de degradação é infinitamente maior do que a nossa capacidade de reação e contenção do estrago.
Por isso, nesse momento, faço um convite e um pedido a todos aqui presentes. Gostaria de dividir essa homenagem com cada um de vocês, sabendo que à sua maneira cada um irá se mobilizar. Pode ser um começo tímido, recolhendo o lixo que não é seu da calçada. Pode ser falando para o vizinho não lavar a calçada toda semana. E quem sabe, participar num segundo momento da coleta seletiva do seu bairro e do replantio das árvores derrubadas do seu entorno. E esse prêmio, ou homenagem, será cada vez mais nosso, de cada um que entender mais sobre o nosso quintal azul, e aderir a essa proposta. Até que finalmente, seja tão natural começar tudo do ponto de vista da sustentabilidade, como é prover o pão nas mesas de café. Fazemos sem pensar. Que essa homenagem seja assim de todos nós. Hoje, a manhã e sempre.
Alexandra Dias - 27 de maio de 2008

terça-feira, 26 de agosto de 2008


EU, VOCÊ E A REINVENÇÃO

Desafio é a palavra desse século
Inegavelmente
Olhando ao redor é o que vemos
O Criador teve sete dias para inventar o mundo
E nós?
Quanto tempo ainda temos para reinventá-lo?
Sobre outros valores, é claro...
Diferente dos que foram usados e não deram bons resultados
Onde os fins,
Realmente justifiquem os meios
E o fim, seja único e certo: a construção de um mundo melhor
Para a morada de um homem melhor, de um homem humano
Não do cidadão fulano de tal, dono de não sei o quê
Mas do homem dono de um nome e de um corpo
O Homem do fio do bigode
Assim como o homem das cavernas caçava para sobreviver,
Quando a gente nasce nos dias de hoje, não tem só o “dever” de crescer, de dar frutos e morrer
Temos necessidade de nos cuidar, mas, principalmente, de reinventar o planeta, como um pré-requisito. Um contrato invisível
É daí, é preciso coragem para ser bom
Vontade e inteligência para ser justo e repartir o pão e fé, muita fé
Para acreditar que dessa semente, dos pequenos atos, virá uma plantação de frutos melhores, mais fortes. Frutos de amor
Por que o amor é maior que a certeza e a certeza é também um ato de amor
Doar o que não usamos mais
Entender que o mundo é uma grande teia e temos que dividir tudo
Os acertos e os erros
As muralhas e os muros
Vamos reciclar o mundo, reinventar o homem, humanizar o homem
Vamos transformar a Lei da ação e reação no 11º mandamento
Aceitar que a ação é individual e coletiva
E que a apatia é também uma forma de ação
E que é individual antes de ser coletiva
E entender que agora é a nossa hora
De assumir o ônus e não culpar o sistema
Porque sistema algum será justo se o principal problema do mundo for o homem
Qualquer desses modelos sem humanidade estará fadado ao fracasso
É hora de reciclar os valores
De ir à Lua sem se esquecer das periferias
Hora de avançar sem para isso ter que retroceder
Expandir, crescer, evoluir
É chegada a hora de reinventarmos o mundo reciclando nosso universo profundo
Limpar a casa e mexer em tudo
Mudar dói, mas melhorar sublima
Reduzindo as mazelas
Reutilizando e aprimorando a experiência dos mais velhos
Reciclando as relações, antes que a lágrima se transforme em choro, e que maçã se encharque de sal, conseguiremos essa tal reinvenção
Amém

domingo, 17 de agosto de 2008

Meia noite e o celular sinalizou a chegada de uma mensagem. Era o pai do meu filho. Dizia que ele, já na hora de dormir olhou bem nos olhos do pai e disse: Pai, quando eu morrer vou sentir saudades de vocês!
Ligo imediatamente e ele, o pai, atende chorando. Não sabia por quê, mas o menino de 4 anos soltara essa, no meio de uma madrugada qualquer.
Acho que era uma sensação apenas, despertada por algum fato que ele registrou e manifestou assim, depois de passar horas rindo e se divertindo com o pai. Acho que era o jeito dele dizer que nos amava. Choramos muito, não por alguma razão concreta, mas por ter sentido, pela primeira vez, o que seria do nosso mundo sem aquele pequeno rapaz. Nosso gigante...nossa semente de esperança, de pujança, de sentido para nossa existência. Então desligamos e oramos pela graça de tê-lo. O pai abraçado com o filho e eu abraçada virtualmente.

PEQUENO MESTRE


Pequeno mestre
Hoje, meu filho
Sempre, meu irmão de caminhada
Obrigada por me ensinar mais em cinco anos do que em toda minha vida pude aprender
Me destes a linguagem do amor abnegado
Que dizem ser o mais próximo ao amor de Deus
Minha vida não foi edificada sobre a sua presença
O que sinto por ti não é posse
Existo em paralelo a vós, caminhando juntos
Mas és meu Sol, meu ar fresco, minha água pura de matar a sede
Meu Ypê florido que corta a imensidão azul de existir
Meu perfume edificador
Carne da minha carne
Sangue do meu sangue
Fruto da minha capacidade de amar
Tens nesse corpo meu passado, meu presente e meu futuro
Os teus olhos têm a forma dos meus, mas seu olhar sobre o mundo vamos construir juntos
Os lábios, são de seu pai, mas seu ponto de vista sobre o mundo, também vamos construir juntos
És meu milagre
És a manifestação de Deus na matéria
Me mostrando que se os milagres existem ,
Tudo é possível
E que o mundo fica pequenino perto de ti
Amo-te como jamais alguns poderão entender
Amo-te como jamais imaginei ser capaz
Amo-te como ao criador, pois és meu milagre
És sagrado
És um pedaço de mim
Meu norte, meu viço
Obrigada meu filho
Meu amor
Minha vida além de mim
Sinceramente, muito, muito, muito obrigada.

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

JÁ FUI MULHERZINHA


Já sonhei com o amor perfeito
Já quis dormir abraçada com alguém por toda vida
Já cozinhei esperando meu bem
Já fui submissa
Já fui cor de rosa
Mas há algum tempo
Troquei as receitas pela Malzebier
O crochet pelas corridas
O guia de promoções pela política
Interajo com a vida
Flerto com o meio
Sou homem mulher
Sou mulher mãe
Sou progenimaterna
Sou você, sou eu
Sou um tipo diferente qualquer de mulher
Que escolheu viver de verdade e abandonou o feminino
Mas levo a feminilidade
No mundo patriarcal quem tem feminilidade é rei
E tenho que ser rei e esconder a rainha
Pra quem sabe um dia mostrá-la a alguém
Que tenha curiosidade nessa nova espécie
De mulheres que sofreram de mutação sociosexual
Que não se renderam às meias verdades
Não se acomodaram no berço esplendido
De algum homem que se faz de forte
Mas que precisa de uma mulher a tira colo para certificá-lo dê
E daí ela coloca plaquinha fragilidade e ele a de coragem
E eu, de fora, vejo toda a vaidade
Que tem no meio de tudo isso
E escolho as minhas mesmas verdades
De ser quem se é
Pareça ou não crueldade
Sou Alexandra
A menina que cresceu e passou de mulher
Às vezes, veste homem
Mas acima de tudo
Sente humano
Um jeito novo de Ser e sentir o mundo
Chega mais se quiser saber como é
Deixe as amarras
Você consegue
Eu falo de mulher pra mulher
Eu consegui
Vamos descobrir as Brumas
Renascer de peito aberto
De top less moral
Sem medo, sem amarras
Seremos um povo novo
De corações fortes e vida simples
De mulheres verdadeiramente femininas
Feminivivas!
Solte-se!
Liberte-se!
Voe, voe mais alto mulher
Você pode
Reinventar a nação
Revelar a constelação
Chega desse mundo cão
Vamos redescobrir então
O novo, o justo, o tudo, o Graal e o grão!


quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Lealdade

Uma flor rara. Acho que o tipo de solo mudou, afinal, não nascem mais pés de lealdade e o Homem está desaprendendo, esquecendo a forma dessa flor. Está esquecendo que maior que o amor de homem e mulher é a lealdade, que faz da amizade, desde sempre, a forma mais pura de amar, só perdendo em estabilidade para o amor de mãe. Só que amor de mãe não vem por escolha, mas o de amigo vem.
Escolha pessoas leais para sua vida! E seja leal. E ame uma mulher que seja leal, porque se a paixão acabar, vocês poderão rir juntos do passado e ela será alguém com quem se pode contar no futuro. E você será para ela.
A paixão motiva grandes ações no mundo, mas se ela acaba, para algumas pessoas, é o fim do próprio indivíduo. O objeto da paixão evapora, não deixa nem rastro, nem endereço. Esses são os que perdem as lembranças como quem perde a nota do supermercado.
Há sim! Escolha alguém que tenha memória afetiva, que goste de construir e que saiba doar. Que tenha boas histórias pra contar e que goste das histórias que tem. Que valorize o Ser Humano, além da carne, além do que se vê. A essas alturas, não sei se isso é uma escolha ou uma possibilidade. Talvez sejam os Homens pedra de que tanto ouvi falar. Não conseguem passar de um ponto. Existem por que não tem outro jeito. E não adianta. Não nasce nada. É seco, morto. A melhor semente ali vira comida de pardal.
Escolha alguém que sinta a melhor de todas: a atração espiritual. Porque o corpo de vocês não vai bastar jamais. Você vai querer penetrar a alma, o passado e o futuro, através do presente efêmero. Uma busca sem fim. Por que não precisa ter fim nesse caso.
Então decida. Faça a razão dar as mãos ao coração e não deixe que ele, extremamente sensorial, guiado por impressões, cheiros, tom de voz, pegue você pelas mãos e te algeme a uma fria. Deixe que ela pondere o coração. Não doe seu amor, seu tempo, sequer um sorriso a uma pedra. É o pecado do desperdício. Pode parecer estranho, desafiador, mas exija! Queira um solo fértil, a altura de suas sementes.
Não sinta raiva, não nutra rancor, pois isso contamina a semente e lembre-se: aquele solo é seco. Não adianta insistir ali. Era uma bela pedra. Vocês até sorriram juntos, cantavam, fizeram juras, promessas, mas era apenas uma bela pedra.
Vá embora, não perca mais um segundo, tem muito mundo pela frente, tem frente a dar com pau. Pegue o rastelo e a semente. Siga em frente. Na hora certa você vai saber onde parar. Já conhece um pouco mais da vida, já viu um pouco mais de tudo e agora pode colher o fruto maduro. Do seu pé de lealdade. E disseminar pelo mundo essa flor de raridade. Chega de ilusão, queira viver de verdade! Pela verdade... Passado tem cheiro de mofo. E viva o novo, porque ele sempre vem!
É isso meu amigo e pra encerrar, a prece da revolução afetiva: Sr.,permita que os iguais se reconheçam, que os diferentes se respeitem e que os indecisos passem despercebidos.
Amém! Amém! Amém!