quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Quem foi que disse que índio de relógio não é índio?

Pajé Santiê - foto: http://www.flickriver.com/photos/jmarconi/tags/milho/

O pajé está calado, e nós também!

Tentei entrevistar o Pajé Santiê, do polêmico caso Noroeste, futuro bairro “ecológico” de Brasília que, para se concretizar deverá avançar em área de propriedade indígena, pertencente ao Povo Fulni-Ô Tapuya, segundo fontes, desde antes de Brasília ser construída. A briga entre a construtora e os defensores da causa dos moradores da área tem gerado muitos confrontos e polêmicas.
Minha pauta, motivadora do contato, nada tinha a ver com a questão das terras, que hoje se encontra nas mãos do judiciário. Queria saber como esse povo cuida da vitalidade masculina, para uma revista masculina. Uma pauta boba, a princípio, mas com a vontade sincera de ouvir as diversas culturas sobre o tema que não é bobo, vamos combinar. Minha surpresa foi tamanha, quando, conversando com o Pajé, soube que não teria a entrevista por orientação dos advogados e da FUNAI.
As últimas coberturas sobre o conflito, publicadas por revistas semanais de circulação nacional, foram absolutamente favoráveis ao desmonte dos direitos indígenas. E o argumento, pasme, é que os índios não são bem mais... índios. Eles usam relógio e tal.
Sim, as pessoas que pintam o cabelo de loiro não devem assumir o cargos de responsabilidade porque, fazendo isso, estão abrindo mão de sua inteligência, já que a cultura popular brinca com a inteligência dessas moças? Essa a lógica?

Agora, me explique quem for capaz, quem foi que disse que os índios só seriam índios se mantivessem o lifestyle de 1500?


Nossas políticas indigenistas sempre foram tímidas e incipientes.
Os primeiros habitantes brasileiros de fato, jamais foram os portugueses, todo mundo sabe disso e nem por isso tivemos a delicadeza de cuidar desse patrimônio cultural e histórico. Pelo menos por educação. Há, que educação?

Também somos descendentes dos europeus, mas convenhamos: que autoridade é essa que diz que descobriu algo que já era habitado, e perpetua informações distorcidas pela educação formal como correta, sendo um ato de ignorância sem tamanho.

Agora, diante da eterna briga da especulação imobiliária (Pinheirinho que o diga), transformamos, aliás, alguns jornalistas transformaram, pautados por algum anunciante forte, mais uma visão desconstruída desses brasileiros, como se relógio fosse perda de valor e de direito a terra que é deles, sempre foi!

Enquanto isso, no palácio da justiça, vem uma meia dúzia de cientistas gringos, com meia dúzia de relógios chineses para presentear nossos irmãos invisíveis e passam a conviver nas comunidades indígenas absorvendo tudo que nós, brasileiros, não temos acesso porque ignoramos, porque somos ignorantes e porque permitimos que continuem nos tratando assim, e, chegam a patentear o cupuaçu e por pouco foi a graviola, por importante atuação no tratamento contra o câncer. E sabe por quê? Por que eles observaram essa gente. E estão observando nesse momento. Mas, ninguém liga, ninguém vê. Só se rolar uma especulaçãozinha. Daí vira manchete. Negativa, é claro.
Não são tratados com dignidade, não tem saúde, educação. Porque índio não pode ter lap top? Porque não tem instrumentos de registro e perpetuação de seus dialetos e de sua cultura?
Parte do nosso patrimônio está morrendo e neste momento calado, tendo que se esconder.
Pouco importa se o índio usa relógio, usa short do Magazine Luiza, tênis da Nike, mas que ele tenha condições de não perder a dignidade em primeiro lugar, por ser brasileiro, e, na sequência, de ter a terra, sua por direito. E, assim, que consiga perpetuar seu patrimônio cultural, que é nosso, meu, seu, de todo mundo (que valorizá-lo). As ervas medicinais, as musicas, os dialetos, isso tudo é nosso. De quem é brasileiro de alma e vê esse país como um lugar para 192.376.496 de brasileiros e não de ½ dúzia de famílias que são sustentadas por 100 milhões de nós.

O seu silêncio Pajê, é nosso também.

Saiba mais sobre o caso:

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Dói, mas é inevitável

Finalmente saio da puberdade. 
Está doendo, mas aprendo muito e isso alimenta meus desejos, amplia meus horizontes e me faz mais simples. 
Não é fácil ver o mistérios se esvaírem em pó, e saber que depois do arco-íris havia só o nada.
Mas é no nada que cabe todas as coisas e com isso caminho firme, as vezes paro, mas sempre em frente.
Depois do arco-íris tem o horizonte para se desbravar. 

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Obrigada Senhor!

Mais uma vez vou postar esse texto, que me faz pensar que, independente da veracidade do dia do nascimento de Jesus, essa é a oportunidade oficial do ano, de parar o mundo em nome de amor incondicional, então, que ele verta sobre todos nós e ponto final. 

Noite Feliz

Suponho que, quando manifestado na matéria, Sua alma grandiosa tivesse a tecnologia necessária para suportar toda essa condição inumada de viver de nós, seres humanos.

Suponho que Sua alma generosa tivesse a sabedoria para perdoar nossa tamanha ignorância.

Suponho que Seus olhos tivessem a onipresença de ver o potencial de cada uma das ovelhas, nos indicando a possibilidade e o caminho da regeneração.

Suponho que na Vossa infinita grandiosidade, a forma de humano o fez mais Deus, pois se compadeceu de nossas limitações vendo através e além da própria carne.

Não há palavras para descrever a Tua obra, tão pouco mensurar o resultado que julgo ser, na minha ignorância, muito aquém do que deveria, mas fatalmente se não tivesse vindo, se não tivesse se colocado entre nós e decretado o amor incondicional que muito ouvimos, mas nada praticamos, o que seria de nós?

Acredito que a Vossa presença aqui imantou este planeta maravilhoso com a força indestrutível chamada AMOR. Seu ato, seus passos e sua sabedoria estarão sempre ecoando em nossas almas brutas, como um sinal a seguir, mesmo que lenta e destorcida mente estaremos sempre seguindo na Vossa direção. Como siriris em busca de luz.

E, no auge da ignorância manifesta, imagino que sua dor ao pronunciar: “Pai, perdoai-os, eles não sabem o que fazem”, deva ter sido menor do que ao refletir: Ó Pai, quando então saberão?  

Anos se passaram, e há tanto a se fazer.

Que todos nós, ignorantes e errantes, mas guiados pelo Vosso sinal, não com o medo dos que não crêem, mas com o amor dos que te veneram na Sua sabedoria, possamos de fato ocupar as esferas de poder nesse organismo azul, mudando o leme de direção e aportando tudo na Sua paz, na Sua plenitude, onde realmente o outro importa como a nós mesmos. E que um mundo de paz se faça Real.

Jesus, és o nosso presente de Natal. Nossa dádiva, nossa Bem Aventurança.

Que na noite de Natal todos nós possamos congraçar com a Vossa Presença e que uma grande festa refaça nossos corações e enalteça nossos sonhos e esperanças de um mundo melhor.

Há muito que se fazer. Que a Vossa luz nos fortaleça e nos guie.
A todos os homens de bem, que escolhem a paz à desarmonia, a fraternidade à ganância, o amor ao sectarismo, vamos receber o Mestre nesta noite simbólica, onde o mundo todo pára para desejar um pouco de alegria ao próximo. E aos homens, que ainda sofrem, e não reconheceram sua porção de amor, que encontrem o caminho de casa.
Que assim seja!

Feliz Natal a você e a toda sua família!
Alexandra Dias


quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Do útero para o mundo

Aos poucos a sociedade deixa de ser patriarcal, mas as mulheres ainda não conseguiram o feito de ensinar os homens a amar de verdade e, principalmente a amar A verdade. E isso, é vocação uterina. 

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

365 dias em Brasília

Campinas me pariu. Brasília me viu, me enxergou.
Faz um ano hoje.
Mala e cuia. Sem saber o que encontraria. Faz 365 dias que cheguei.
Sim, eu parti, mas cheguei faz tempo. Quem parte, olha para trás, quem chega, vê o futuro.
Tudo tão diferente. Me espelhei em muitas, me desdobrei, me recriei.
Me abandonei para depois me achar e descobri que nunca mais serei de verdades. Serei de momentos. Esse que a gente pega nas mãos, mastiga e cospe o caroço.
Verdades são swarovski e momento é osso.
O momento quebra e cola, a verdade estraçalha.
Vim com algumas verdades, elas quebraram e me cortaram.
365 para me encontrar com a liberdade. Com minha chave de fenda, meu varal e minha térmica barata. E meu mundo, de novo.  Com dezoito, meu quarto. Com 34 meu teto.
E como tudo tem um preço, são trezentas noites sem colocar Dimitri na cama. Sem dar beijinho, sem mandar tomar banho e lavar as orelhas. Trezentos dias sem a briguinha cotidiana. São 365 dias só de amor. Só de saudade e boas lembranças. O peito ainda aperta, dói, mas o sorriso vem na seqüência. Adubei o pé e ele está de vento em popa. Cercado de amor, como veio ao mundo. Cercado de amigos e cuidados e pessoas especiais que por algum motivo sagrado, o destino permitiu a ele merecer.  Obrigada!
Volto a ser adolescente. Depois de ser filha por toda a vida, mãe por sete anos, mulher por alguns, amiga e irmã, aqui, sou eu e o mundo. Sou trabalho, pouquinho de boemia e até danço. Encontro Deus nas pequenas coisas. O tempo todo. Ele se mostra, sorri. Nas pessoas, no céu, nos calangos, nos pássaros, no amor que floresce forte como nunca, na dança que vejo bem de pertinho. Quero abraçar o mundo, inalar profundo, como eu já disse. Sentar a vida em meu colo como se fosse a Anita e afagar-lhe a franja.
Obrigada Deus, tenho aprendido. E se, é esse o sentido, estamos no caminho.
Ontem senti saudades. Queria olhar e ver meus velhos amigos. Mas entendi que sempre estarão comigo. No salão, no trabalho, nas conquistas. Estava com febre por meu amigo, e ele via a salsa comigo.
Tenho tantos amores para comemorar, ou talvez nem sejam grandes em numero, mas em profundidade, que nem posso me queixar.
E são 365 dias que tenho sentido, mesmo à distância, cada vez mais próximos, meus irmãos, minha família, meus amigos e a nova família que construo por aqui, com novos eternos amigos, um amor incrível e uma nova versão de mim mesma, inacabada, eterna. Com tudo para melhorar, muito para celebrar e é isso. 365 dias do começo do resto da minha vida. 300 dias no coração do país. Nome de novela pitoresca. Eu, Brasília, um só coração. rs Há, e hoje, por algum motivo, a majestosa não se abriu para mim.

 




terça-feira, 1 de novembro de 2011

Lula está com câncer. O Brasil também.


Acho que o problema não é o câncer. Todo mundo quer a cura desse mal e ninguém em sã consciência desejaria isso a qualquer ser humano que seja. O ponto é que, o Lula saiu do povo e nunca antes na história desse país alguém representou tanto o ideal de igualdade, pelo menos do lado do eleitor. É a velha máxima de quanto maior a altura, maior o tombo. Ele foi o divisor de águas. A maior expectativa. Quando o povo deixou de achar que não tinha condições de estar lá no poder por não ter estudo, não ter berço ou nome tradicional.
Venceu o metalúrgico, o Silva, o operário? Não, venceram, em 2002, os 6 bilhões de pessoas exaustas, desejando mudanças.  
 Só que a recíproca não foi verdadeira. O Lula subiu ao pódio político, transformou o avião presidencial em luxo, viajou, vendeu o carro flex, sem garantir etanol para o país.
Enquanto o povo, que se fez representado por ele, viu grandes escândalos de corrupção, de baixo do nariz do então presidente que se fez de morto (assim como a Dilma).
O povo teve um aumento significativo de renda, é fato. Um marketing sensacional do PT, uma visão que os antecessores ignoraram e que alavancou o Partido dos Trabalhadores nas últimas décadas e transformou o Lula num ícone. A posse da presidente Dilma, foi na verdade, um comício de despedida do Lula. Escancarado. Pessoas chorando ao som de “Lulalá”.
Só que o Titãs avisou: o povo não quer só comida. E o Lula representava isso. E nós não subimos no pódio da saúde e da educação. O aumento de renda gerou movimento econômico.  Com isso, o governo ganhou e as empresas ganharam. Mas a riqueza de um povo não se mede só por isso.
A China, o grande Tigre Asiático chegou aonde chegou com um IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) lastimável. O que será que motiva um governo a dominar o mundo à custa do próprio sangue, suor e lágrimas? São escravizados em seu próprio país. Cuba tem racionamento de papel higiênico, de comida, de liberdade, mas por outro lado, sabem quem são e porque estão assim, e, independente de concordarem ou não, resistem. Como disse Ibrahim Ferrer - 1927/2005- (Buena Vista Social Club), que sorte a deles por não se entregarem ao materialismo, senão teriam sucumbido com tantas restrições. Eles sofrem, mas têm cultura, vertendo pelos poros. Sabem quem são, são ricos na música, na história.
Hoje nós temos mais feijão no prato, mas precisamos de um pouco mais. Nem tão China, nem tão Cuba. Mais Brasil. Pacífico, mercado aberto, popularidade mundial crescendo, país jovem, rico em potencial e recursos naturais. É isso. Estamos nos reinventando e isso também tem preço.
Quando colocam a sugestão de que o Lula se trate pelo SUS nas redes sociais, entendo que não se trata de algo pessoal, mas se trata de que os antecessores nem contavam. Sempre foram sectários. Burgueses assumidos e nós os colocávamos lá. Hipocrisias à parte, essa foi a história política do nosso país (salvo o período pré ditadura).
O Lula era a esperança de que, por ter sentido na carne o que a maioria sente, melhoraria também aspectos essenciais como saúde e educação. Muito além do bolsa escola e dos atuais salários de professores.
Ter um diagnóstico num sábado e começar o tratamento no mesmo final de semana?
Me desculpem aqueles que não entenderam: não é o câncer, não é o Lula, é a consciência de nós brasileiros clamando por melhorias, por nossos direitos. Queremos nivelar por cima!
O que o PT não esperava, era que o mesmo gargalo eleitoral conseguido com a ajuda assistencial dos programas sociais, também faria com que mais pessoas tivessem algum acesso à informação e isso significa de certa maneira, evolução.
Estamos mais maduros e exigentes e pouco dispostos a aturar certos contrastes. Além do que, quem escreve em redes sociais hoje, na maioria dos casos, nem “viveu” os outros presidentes.
Essa geração não quer perder tempo com “Mi mi mi” político. É cobrada, tem que pagar caro por tudo, tem poucas certezas na vida e tem pela frente o simples desafio de ajudar a curar o país do câncer da corrupção (herança maldita) e seus males decorrentes como miséria, fome e violência.  
Hoje, o que vem à tona mostra que nossa nação está doente. Células cancerosas enraizadas nas pequenas e grandes esferas da sociedade aparecendo todos os dias nos meios de comunicação. E talvez por isso, essa seja a grande oportunidade de curá-la.
Ao Lula, saúde. Com SUS ou com Sírio-Libanês.
Ao Brasil, saúde também. E nesse caso, ele só pode contar com cada um dos 7 bilhões de nós mesmos. Votar é um ponto no oceano. Acho mesmo que a gente deve escolher todo dia se reinventar mais uma vez.
O Brasil para nós brasileiros nunca existiu, mas nada me tira da cabeça que está cada dia mais próximo. Nosso país está convalescendo. É uma questão de tempo!
“Garçom, trás um caldo de mocotó, uma canja de galinha, uma dose de óleo de fígado de bacalhau e uma Caracu! E embrulha para viagem. Endereço de entrega? As 27 Unidades federativas.”


quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Hoje podia dar praia

http://www.youtube.com/watch?v=BWVnZAJaq4Q


Eu precisava hoje de um trilhão de litros de água salgada e geladinha! Sol, Prainha...
A marola lambendo a cara e na sequência uma onda estoura e faz o turbilhão nas pernas.
Caíu, levanta.  Mas o biquíni sem alça queima melhor. Mas não dá pra nadar!
Ouve só o som. A valsa. Inspiração. A maresia . O mar poesia.
O sol avermelhando o nariz dizendo: coloca um boné menina.
O enroladinho de queijo sequinho da japonesa e a certeza de que aquele cenário não mudaria bruscamente nos próximos minutos.
Lá longe os surfistas colorindo o azul marinho com as pranchas.
Famílias dividindo a sombra da barraca, a cerveja, o picolé. O pai enterrando o filhote na areia.
O casal malhado jogando frescobol e a bola vai pra água e atrai o cão labrador.
Pode cão? Não, acho que não, mas hoje pode. É festa da trivialidade.
Uma cerveja gelada e uma caminhada. Cada quiosque, um som. Ai não, de Jack Jhonson para um sertanejo! Ufa, passou. Agora é um sambinha. A praia é diversidade.
Opa, um milho na areia.
Vai um milho aí?
Olha o cara, vende de canivete suíço a absorvente interno.
Não tem erro, não tem melhor.
Hoje está dando praia.
Hoje tá dando uma paz danada.
Quem não sorri, não chora. É só isso. Sentir o Sol nas entranhas, a areia nas dobras e a alegria na alma.
Praia, praia, praia.
Ubatuba. Num tempo, num espaço.
Na memória, sempre.