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A 1ª DOS 40 ELEITOS

Primeiro de janeiro de 2011. Às 14h e pouco seguimos para a Praça dos Três Poderes . A chuva nos pegou de cara, estamos mesmo em Brasília . Acabamos de pisar no eixo e o carro da presidenta e os Dragões da Independência nos agraciaram. A chuva aperta. Dilma segue para o Senado Federal e nós para a Praça dos Três Poderes. Ao chegar à Praça, de cara notamos de quem era o evento. Nada contra ou a favor, mas o espetáculo ali era mais do PT do que "do Brasil". Ou do Japão, por tanto vermelho e branco. Pensei que o show seria verde e amarelo, mas parecia um comício do PT. (nota de edição futura: ainda não tínhamos vivido a apropriação indébita do verde amarelo por um grupo político do Brasil) De certa forma era de se esperar, era sim uma festa do partido, mas se via em média uma bandeira ou camiseta do Brasil para quinze ou vinte do PT. Acho que poucas pessoas foram prestigiar a posse sem uma vinculação partidária. Via-se pessoas de todo jeito e de todo cant...

NOITE FELIZ

Suponho que, quando manifestado na matéria, Sua alma grandiosa tivesse a tecnologia para suportar toda essa condição inumada de viver de nós, seres humanos. Suponho que Sua alma generosa tivesse a sabedoria para perdoar nossa tamanha ignorância. Suponho que Seus olhos tivessem a onipresença de ver o potencial de cada uma das ovelhas, nos indicando a possibilidade e o caminho da regeneração . Suponho que na Vossa infinita grandiosidade, a forma de humano o fez mais Deus , pois se compadeceu de nossas limitações vendo além da própria carne. Não há palavras para descrever a Tua obra, tão pouco mensurar o resultado que julgo ser, na minha ignorância, muito aquém do que deveria, mas fatalmente, se não tivesse vindo, se não tivesse se colocado entre nós e decretado o amor incondicional que muito ouvimos, mas nada praticamos, o que seria de nós? Acredito que a Sua presença aqui imantou este planeta maravilhoso com a força indestrutível chamada AMOR. Seu ato, seus passos e sua...

MINHAS MÃOS ME PEGARAM

Pensando no meu espírito craquelado , remendado e robusto que, nos primeiros a nos da vida adulta encarou uma sucessão de tropeços e recomeços Endureci ao pensar no que eu poderia me transformar Mesmo eu, com uma alma confiante e otimista me vi com meu otimismo doente. Doente não, cansado, envelhecido. Pensei nas lutas que travei com as coisas existências e essenciais do mundo. Me assustei. Sou uma sobrevivente , porque ainda carrego sonhos, mesmo que de tule com traça. No meio do meu devaneio , minhas mãos estavam lá, me servindo o café. Dedos longos de minha avó, unhas parcialmente pintadas sinalizando minha resistência delicada a tudo que embrutece e fura. Eram minha mãos, amigas de uma vida inteira dizendo para eu não esquecer quem eu era. Independente de toda crosta, todo músculo e resistência que eu perseguia, ainda estava ali, bem no meio, uma mulher viva.

ERA SÓ ME AMAR DESSE JEITO

Era só me amar desse jeito Com o vestido furado Gasto pelo tempo mas que não incomodava Ele me cobria em dias normais E no frio pedia um reforço adicional Mas na média, Eu era aquela Nem mais, nem menos Não era elegante E sequer ostentava o que quer que fosse E era só me amar desse jeito Gostando do meu vestido ralo Da minha vivência vã Do meu traçado E era só me amar desse jeito Mas sei que era pouco Em terra de Vogue quem tem baciada não é rei E eu só tenho isso Só o que se vê Não trago mistérios na bolsinha Porque nem tenho bolsinha E era só me amar desse jeito Mas se quer ver mais que o meu vestido roto E esperar mais do que apenas isso   Pode me achar muito nada, e sua mente fará um rebuliço Como quem busca colar de diamantes na favelada e não vê E eu era somente isso Queira ou não queira Sem mais daquilo E era apenas me amar desse jeito Me aceitar com ...

HOJE EU VI UMA GENTE

Hoje eu saí. Conheci um monte de gente como eu. Gente que pelo menos já foi como eu: forasteira Eu vi Minas, São Paulo, Jundiaí. Tudo ali. Gente boa que passa para lá e para cá. Que trabalha, que carrega seus princípios, suas sementes. Também vi gente esquecida. Fazia tempo que não via. Um garoto deitado com uma coberta de patch work devorando um pastel. O moço do ônibus me acompanhou da Asa Sul até o Conjunto Nacional . Passamos pelo ortocentro de Brasília . E como todo centro acolhe os esquecidos, eu vi uma gente. Gente nos cantinhos, gente jogada, nos montinhos, aos poucos, muitas distribuídas no meio e nos cantos do centro. Passado “o perigo”, ele seguiu em frente, o Gil, e eu fui buscar minhas fotos. Fui para o eixão buscar umas fotos até a majestosa, nos Três poderes . Segui vendo mais gente. O Neto me mostrou as flores do Cerrado . Eram muitas. Ele ali, fazia delas as musas do caminho, bem em frente à Catedral . (Aquela que não me “pegou” pra valer). ...