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Digerindo a minha vida para então me alimentar de novo

Vou esquecer meus sonhos, minhas escolhas erradas, minha persistência burra. Vou digerir tudo e excretar. Não vai sobrar nada de velho, só a essencia e o precioso. Depois disso, ainda ibernando, vou dormir o sono dos justos. Depois devo acordar, limpa e pura novamente. Como deve ser. E aí sim, novas coisas podem se aproximar da minha alma novamente. Hora de digestão. Vou me ausentar pelo tempo que for necessário.

O fel necessário

Até agora, o ensejo de sair pela porta da miséria existencial me fez relevar tudo. Tudo mesmo. Nem cheguei a olhar para trás. Hoje, liberta, tento evitar a sensação que a pouco não me assedia Raiva Que cheguei a descontar fisicamente E nem senti remorso Porque foi pouco Muito pouco pela desconstrução de tudo que se tentou Do mundo que acredito Do mundo que venho construindo Do mundo que venho amando E da forma como amo Claro, também vai passar Mas hoje, agora, nesse minuto existencial Tenho nojo Tenho asco Não tenho saco Repulsa pela “habilidade” torta da mentira desnecessária Sinto pena, da doença aflita que coloca alguém nesse labirinto de fauno E de onde ela mesma não consegue sair Que sofra toda dor capaz de curar esse mal Esse lodo Fétido Sem charme, com mofo E não há músculos, não há pele, não há perfume que encubra isso É fake, é morfo Que toda essa dor possa limpar essa merda toda e traze...

A ALEGRIA ME PEGOU DE JEITO HOJE PELA MANHÃ

Dirigindo sob o Sol brilhante com um fundo azul anil brasílico, brisa da manhã e uma boa música de uma boa rádio. Todos os meus sentidos foram tomados de assalto. Eu estou feliz! Como sempre fui, como sou e não tenho culpa. Rasguei a capa preta que tentava cobrir meu verde limão. Estou cheguei. Estou fluorescente. Estou crescente. Estou tropeçando na alegria e sendo amparada pelo amor. Mas é tudo simples. Não é um show de mega produção. Não é o nascimento de um filho. Não é a festa de formatura. Mas contém tudo isso. Acordei só, e nunca em toda minha vida estive tão cheia de mim, de nós. Dos meus nóses.  Minha primeira quitinete .  O ponto final do noivado já tinha um tempo, mas a última "conversa" foi um ponto final na amizade. Depois do veredito, eu arrumei a minha morada em 48 horas, com cheque calção de Campinas e zero móveis.   A santinha da Tereza saiu da caixa, e velou meu sono. Sua caixa de gelo de artesanato na prateleira. Eu nem ...

SOLITUDE

Quanta saudade Que gostoso ter com você Vou contar aquela piada que ninguém ri, mas eu gosto e vou gargalhar. E bem alto. Vou dizer dos meus amores, romantismo vão, tão caretas, mas tão meus. Fidelidade com meus sentimentos. Onde posso assumir tudo sem nada em troca. Onde a minha verdade não é meia, mas sentimento. Estou louca para encontrar comigo. Com meu melhor. Aquilo que a gente só começa mostrar depois de dez anos de convivência. Aquilo que se revela aos poucos para os corações mais atentos. Onde sem peso algum, posso pesar as escolhas e, sem enlouquecer, apenas virar a página e agradecer. Diz o Dimitri, a escolha é sua, e eu respeito. Digo eu, a cria surpreendeu. Aqui não tem distancia, não tem medo. Aqui é alegria, porque tem consciência da solidão. Solidão existencial , necessária, que faz seguir em frente. A solitude é a cama da inconsciência. Onde se deita confortável para se digerir aquilo que se viveu. Repouso de fato. Com sonhos e alguns pesade...

SOPRO DE VIDA

Vem vida, me beijar a face Quero dar a outra para a redescoberta Inspirar o perfume seguro das avós, Sentir o colo quente do meu filho O abraço forte de um amigo O sorriso ingênuo do Bom passeio Quero ouvir a música El Cuarto de Tula , por favor Dançar até pingar E rezar em silêncio pelo céu azul que bate na janela de manhã E pelo temporal, para que não faça estragos, só espetáculo Um bom filme Um bom livro Uma boa história, Austrália "Dona chefa", partirei dessa terra nova e seca e sofrida Mas levarei boas lembranças Um case, um causo. Aplausos, o show acabou. Como será o próximo espetáculo, o cenário, as roupas? O enredo... O enredo a Deus pertence. Hoje é dia de limpar o palco e as coxias.

O CAMINHO DE VOLTA

São x quilômetros para se deslocar. Os preparativos para deixar a casa em ordem. As contas pagas (na medida do possível), a roupa limpa. São trechos e trechos de caminho. Pessoas, carros, fechadas, pequis , estradas. Espinhos... Amigos, suspiros, cheiros e risos. E agora, a volta. Vou ser 2x . Na verdade 2X². É mais que a vinda e depois a volta. Tem os grilhões que venci , ou achei que venci. As lutas internas que travei. Meus desapegos que se tornaram real afeto . Eu não sou aquela, nem a aquela outra, mas ainda sou eu. Me deparo agora com um espaço imenso a ser preenchido . Coisas para fazer, casa para arrumar. Minha casa esteve fechada e agora tenho que reformá-la, para acolher minha nova vida . Simples e clara. Cada coisa no seu lugar a partir de agora. Na ordem certa, no tempo certo. Assim será. Assim estou. O caminho de volta na verdade, é o caminho em diante.