Pular para o conteúdo principal

A VIDA É A ARTE DA DESCONSTRUÇÃO


Olhado assim, friamente, nem sei quantas vezes devo ter fugido de mim.
Eu era tão assim e hoje me vejo tão assado.
Aventura ou segurança?
Não, apenas a segurança de viver na aventura ou não. Chova ou faça frio, vai ser sempre Sol.
Amor ou paixão?
Não, mas um certo estranhamento para ambos. Quem sabe eu não queira concluir. Já vivi tantas variações deste tema, que saí até do tom. Virou indiferença social, distância, silêncio. Complacência, carinho, amizade, mas nunca ingratidão. Pra quê resumir o amor e definir a paixão? Quem sabe quais as combinações possíveis? Hoje me enamoro da solidão, que me abraça como sou, que permite abrir qualquer livro, a qualquer hora, que me dá o bônus da não maquiagem, do tempo dedicado aos mais próximos, dos quais já me ausentei brevemente. Flerto com essa liberdade, de cima de uma montanha bem alta, que parece ser única e só caber um alguém. E, daqui de cima, ninguém verá como eu. E tudo bem.
Sucesso ou missão?
Não sei. O sucesso mais forte esquece da missão. Integra ela própria e faz sua ansiedade reduzir a quase nada, o pragmatismo automatizar as boas ideias e o sorriso fácil vir junto de um contrato, dos extratos. A obra sim, como um bebê, se cuida e se crê, porque sabe ser real. Não sei aqui se fugi de mim. Acho que meus retalhos são mui diversos e apenas isso.
Família ou profissão?
Família demanda tempo de qualidade. São nossos cumplices, nosso espelho, às vezes nossos maiores tribunais. Somente eles têm a procuração divina pra ser tudo isso. E a nós o exercício maior de dar e receber, de treinar a hierarquia e o pertencimento, pra que mais ali, façamos nossas próprias escolhas. Ela não colide na profissão, mas altera a rota, é fato. Quem nunca? E isso é maravilhoso, porque o mundo precisa de retas, mas o é redondo. Fazer a curva nunca foi pecado.
Nem existe pecado.
Olhando agora, nessa breve retrô, vejo que nunca fugi de mim. Apenas descristalizei minhas verdades e sigo me desconstruindo. Quebrando uns muros e abrindo cortinas para que luz entre e os ares se renovem sempre.
Acho que a vida é isso. Entre metas e desistências, entre tributos e débitos, entre certezas e novidades vamos acolhendo nossa história, dia após dia. 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Status

Parte de mim é amor e a outra é ilusão. O exercício de viver é alargar as margens da primeira até que a outra simplesmente vire a uma. Tem dias que somos mais a primeira, tem dias que estamos na fronteira. Tem dias que somos pura beira. Não cobro e não ligo, olho pro lado e digo: nem vem, que eu sei voltar pra lá. É uma maré que sobe e desce, movida pelos sentimentos que são movidos pelos pensamentos. Já fui tsunami, já fui lagoa, fá fui até sertão, mas eu sei, é tudo condição. É passageiro. Eu sou passageiro, e também o mar, e também o chão. Ah essa Tao evolução, que cresce dentro da desconstrução. Esse tudo que busca se preencher de nada. Essa divisão que nos insiste, condição de alma triste, de um ego que se alimenta e se maquia de presente. E a união ali latente, aguarda soberana o fundir do último átomo, o ruir da última ilusão. Metade de mim é vida, a outra metade é desconstrução. 

Carta de amor a vida

Caraca! - Eu disse. - É aquela música do Elton (John ). A música: My father’s gun Do filme: Tudo acontece em Elizabeth Town. Um dos meus preferidos. Dos mais mesmo. Simplesmente o cara passa oito anos sem ver o pai e quando toca essa música o pai está viajando no banco do motorista, ao seu lado. Cremado, dentro de uma urna. E depois de longos oito anos eles dialogam. E recordam os bons momentos, as viagens do passado juntos, as cenas inesquecíveis. Ele, Orlando Blun e seu pai, moribundun. E essa música, aliás, esse filme todo me faz sentir vontade de berrar. Sair por aí, sorrindo e olhando paras as coisas que nos acolhem pra dentro desse mundo mais estranho que a ficção. O Ypê rosa da esquina, o Sr. Poliglota que logo pela manhã se arruma e sai pelo bairro, cumprimentando a todos e perguntando de onde a pessoa é. Todos os dias ele faz tudo igual. É como se fosse um relógio do tempo. Um dia, quando ele perguntar se minha família veio da Itália (como sempre faz), vou diz...

Pequi. Ou seria um ouriço? Os Deuses gostam de espinho.

Tão comum na Planalto Central, região de cerrado, seu nome significa “fruta dos deuses” . Por todo lado existe algo de pequi. Isso, eu até sabia. Já havia sido alertada por especialistas. Lá na Vila Industrial, em Campinas, onde fica a editora que eu trabalhava tem a pastelaria do Japa, em frente ao mercadinho da Vila e eles servem pimenta com pequi. Desde a primeira vez fiquei apaixonada pelo sabor. Tem mais hot e mais suave. Mas até aí, era ele lá e eu aqui. Separados por um vidro com liquido dentro. Meus colegas especializados na frutinha porém, me perguntaram se eu conhecia pequi. Eu disse que sim, sem prever o que estaria por vir e ainda reafirmei que na pimenta era uma delícia, o trem. Calda Novas. Na viagem de ida para Brasília paramos em Caldas Novas. O paraíso de crianças e pessoas da melhor idade. Desde que engravidei sempre quis levar o Dimi lá. Nem sei porque, mas tenho essa idéia fixa. Em Fernando de Noronha também. Entramos para conhecer um clube de águas ...