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A VIDA É A ARTE DA DESCONSTRUÇÃO

Olhado assim, friamente, nem sei quantas vezes devo ter fugido de mim. Eu era tão assim e hoje me vejo tão assado. Aventura ou segurança? Não, apenas a segurança de viver na aventura ou não. Chova ou faça frio, vai ser sempre Sol. Amor ou paixão? Não, mas um certo estranhamento para ambos. Quem sabe eu não queira concluir. Já vivi tantas variações deste tema, que saí até do tom. Virou indiferença social, distância, silêncio. Complacência, carinho, amizade, mas nunca ingratidão. Pra quê resumir o amor e definir a paixão? Quem sabe quais as combinações possíveis? Hoje me enamoro da solidão, que me abraça como sou, que permite abrir qualquer livro, a qualquer hora, que me dá o bônus da não maquiagem, do tempo dedicado aos mais próximos, dos quais já me ausentei brevemente. Flerto com essa liberdade, de cima de uma montanha bem alta, que parece ser única e só caber um alguém. E, daqui de cima, ninguém verá como eu. E tudo bem. Sucesso ou missão? Não sei. O sucesso mais fo...

QUE AS BOAS SEMENTES ENCONTREM O SOLO FÉRTIL

O sentimento que eu fico dessa eleição é que começamos sim a plantar algo diferente. O nosso projeto é ousado, exige destreza administrativa, habilidade em gestão pública, conhecimento de cidade. Tudo que o nosso candidato tem. Não é demagogia. Não precisa muito tempo pra entender isso. Dez, quinze minutos de conversa e você já saca.   Achávamos que nosso maior desafio seria o desconhecimento. Tonetti não é o cara de boteco, não é pastor, não frequenta enterro, não é demagogo. É um rapaz de técnica e de prática. Focado. Tem projetos. *nada contra botecos J Tonetti foi pra todo canto, mesmo com os ataques da oposição e sua velha política, seguíamos em frente. Tonetti aqui, Tonetti lá. Os ataques infundados se espalhavam pela cidade com o aval de veículos de comunicação a serviço do patrão e a nós restava continuar. Rodas de Conversa na pré-campanha e depois a mobilização nas ruas. Cada um era um semeador de ideias. Pouco a pouco, a sua aura, ainda construída pelo imag...

SOBRE O EPISÓDIO DA OVELHA. O QUE É PRECISO APRENDER.

Até os meus 18 anos meu pai falava em rodízio de carnes e eu, prontamente me animava. Minha irmã ia, "enchia a cara" de beterraba e sempre virava chacota por conta disso. Eu era uma consumidora de carne. As ceias de natal da minha família sempre foram lotadas de peru, carne ‘louca’ e leitoa que minha avó, 11 anos depois de eu me tornar vegetariana ainda insistia em me oferecer. Um dia minha mãe me levou a um curso de introdução ao esoterismo. Entre as muitas novidades que eu me deparei, uma das aulas explicava que todos nós, animais mamíferos temos corpos emocionais, mentais e etérico (espécie de protótipo energético do nosso corpo físico). Nessa aula, pela primeira vez na vida pensei no animal como animal e não como comida. Cheguei em casa e disse à minha mãe: não como mais carne. Ela rio de cantinho de boca, como quem diz “hã hã”. Estou vegetariana faz 21 anos. Mas comi carne até os 18 e acredito em reencarnação. Logo, devo ter comido carne por muitas ...

SE A DOR PARAR DE DOER, PERDEREMOS NOSSA HUMANIDADE

Sou branca, filha da classe média. Meus avós maternos são campineiros e os paternos mineiros. Meu pai não mamou no peito. Só chazinho. Minha avó teve filhos em série, não tinha peito pra todo mundo. Meu avô materno chegou a ter 5 empregos. Estudei numa das melhores escolas de Campinas na época, porque meus pais entendiam que isso era a melhor herança para um filho. Não tenho carrão, moro de aluguel. Meu pai só frequentou o grupo escolar na fazenda, mas fala francês fluente porque seu trabalho exigia. Eu mal falo inglês. A cultura não foi muito contextualizada na minha vida. Fui aprendendo de curiosa e com o tempo as coisas ganharam sentido. Hoje agradeço a tudo, principalmente porque não esqueci quem sou. Minha avó materna era quase negra, meu avô paterno também. E eu já sofri preconceito por ser branca, por ser mulher, e por não ser “feia”. "Você está mais para modelo do que para jornalista", sim eu ouvi isso trabalhando num sindicato. “Você tinha cara de patricinha”, me al...

UM MODELO PRA CHAMAR DE MEU

Já faz uns dias que tenho pensado sobre isso. Na verdade “issos”. A necessidade de ser guiado por uma religião e também na nossa sociedade patriarcal. Acho que esses dois temas estão tão intimamente ligados que é quase difícil destacá-los individualmente. Eu não me dou bem com a hipocrisia e não é de hoje. Muito nova ainda indaguei ao meu pai no que a virgindade ajuda se casais separam-se mesmo quando a mulher (claro) se casou na condição de virgem? Mesmo que a mente dela tenha percorrido livros, vídeos, conversas e fantasias eróticas. O sexo sendo vendido como sujo desde sempre. E pureza como inalcançável.  Daí a gente taxa as pessoas pela opção sexual. Mas péra aí? Defina ‘opção sexual’. Trata-se de penetração, de preliminar ou de relacionamento afetivo? Sim porque sexo anal é parte da cultura de muitos casais héteros, inclusive com a mulher na posição ativa. Tem homens que praticam sexo com mulheres mas, jamais se permitiram intimidade com elas. Soltam-se apenas en...

PARA NÓS, PARABÉNS!

Ontem foi o dia mundial da saúde e também o dia da profissão que escolhi. Por dez anos não tive outro ofício senão o de jornalismar :_) Cheguei a trabalhar em três lugares e achar uma brecha ao longo do dia para tocar projetos paralelos. Quanta inquietação e haja saúde! Minha primeira matéria foi um trabalho de geografia no ensino médio sobre uma visita a uma usina de cana-de-açúcar. Me deparei com os cortadores e sua realidade nada doce que me pegou por assalto. Eu, que não entregava tarefas e repeti  de ano por viver no mundo da lua tirei um dez verdadeiro. Aquilo precisava ser mostrado. Era desumano, escasso e em descompasso com a nossa realidade urbanamente confortável. Acho que a gente nasce jornalista. Quando vi minha grade curricular no primeiro dia de aula na faculdade, amei cada letrinha. Era muito bom voltar a estudar por opção depois de 3 ou 4 anos parada. Tinha um gosto gostoso como se eu enxergasse detalhes da paisagem que antes eu não via. Sala de aula, antropo...

PALAVRAS. O QUE VIRÁ DEPOIS DELAS?

De novo me pego no velho e esporádico dilema com as palavras. Ultimamente eu tenho reparado que só me agrada ler aquilo em que realmente sinto verdade. As palavras não têm culpa, é claro. Nem os poemas, nem as declarações mais românticas, e, principalmente elas. Pode ser bonito, arcaico, coloquial, mas se não “colar”, já era. E isso nada tem a ver com a forma. As vezes me canso de palavras. Ou talvez as ame tanto que fica mal ver seu uso indiscriminado. Palavras vazias são como flechas soltas no universo, perdidas, atravancando o fluxo de boas ideias e sensações altruístas. Uma vez eu conheci um poeta. Ele é para mim um arquiteto de letras. Enfiava aqui, dobrava ali e no final dava uma boa construção. Nesse mesmo dia encontrei também uma poetisa, um pouco menos famosa. Atendendo a pedidos, ela, na sua posição de coadjuvante declamou um poema de sua autoria. Era dela cada sensação, cada dor, cada libertação. Tinha tanta verdade ali que fiquei tosca. Daquele j...