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... deve ser a sinusite


Pode ser a sinusite. A cabeça não dói, mas pesa.Talvez um misto de culpa com saudades. Culpa porque minha consciência está desabrochando e começo a sentir o peso de minhas decisões. Aos 31. Nunca é tarde... Saudades porque eu sinto um sentir forte, com forma e densidade, mas não sei de quê. Mas a lembrança é doce. E tentando pregar os pés no chão, vôo. Quero me concentrar na dança, mas La Noyee me joga pra longe. E agora, La Claire Fontaine me arremessa pra esse lugar que não sei onde é. Com meu olfato de férias, minha audição está aguçada. Basta um tom e eu vou pra longe, vôo. Será que posso não voltar? Um GPS por favor. Deve ser a sinusite, ou o inverno. Que me arremessam pra dentro de mim, em lugares onde não me lembro de ter passado. Onde existe todo passado. De todos e o meu, ali. Onde entro e entendo cada criatura, da mais angelical a mais miniatura e vejo beleza em tudo, porque só há beleza. Não que a dor não doa. Não que a dúvida não aflija, mas passa. E passará sempre. Deve ser a sinusite que me lembra de respirar fundo, o melhor remédio do mundo. Deve ser o inverno, com céu azulzinho e meus lábios ardendo. Deve ser as crianças cantando A La Claire Fontaine. 

Comentários

Fa Fa disse…
Xan, adorei...
Parabéns pelo blog..
beijãooo flor
Fa

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Status

Parte de mim é amor e a outra é ilusão. O exercício de viver é alargar as margens da primeira até que a outra simplesmente vire a uma. Tem dias que somos mais a primeira, tem dias que estamos na fronteira. Tem dias que somos pura beira. Não cobro e não ligo, olho pro lado e digo: nem vem, que eu sei voltar pra lá. É uma maré que sobe e desce, movida pelos sentimentos que são movidos pelos pensamentos. Já fui tsunami, já fui lagoa, fá fui até sertão, mas eu sei, é tudo condição. É passageiro. Eu sou passageiro, e também o mar, e também o chão. Ah essa Tao evolução, que cresce dentro da desconstrução. Esse tudo que busca se preencher de nada. Essa divisão que nos insiste, condição de alma triste, de um ego que se alimenta e se maquia de presente. E a união ali latente, aguarda soberana o fundir do último átomo, o ruir da última ilusão. Metade de mim é vida, a outra metade é desconstrução. 

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