Já sonhei com o amor perfeito
Já quis dormir abraçada com alguém por toda a vida
Já cozinhei esperando meu bem
Já fui submissa
Já fui cor de rosa
Mas há algum tempo
Troquei as receitas pela Malzbier
O crochê pelas corridas
O guia de promoções pela política
Interajo com a vida
Flerto com o meio
Sou homem mulher
Sou mulher mãe
Sou progenimaterna
Sou você, sou eu
Sou um tipo diferente qualquer de mulher
Que escolheu viver de verdade e abandonou o ser menina
Mas levo a feminilidade
No mundo patriarcal quem tem feminilidade é rei
E tenho que ser rei e esconder a rainha
Pra quem sabe um dia mostrá-la a alguém
Que tenha curiosidade nessa nova espécie
De mulheres que sofreram de mutação sociosexual
Que não se renderam às meias verdades
Não se acomodaram no berço esplêndido
De algum homem que se faz de forte
Mas que precisa de uma mulher a tira colo para certificá-lo dê
E daí ela coloca plaquinha fragilidade e ele a de coragem
E eu, de fora, vejo toda a vaidade
Que tem no meio de tudo isso
E escolho as minhas próprias verdades
De ser quem se é
Pareça ou não crueldade
Sou Alexandra
A menina que cresceu e passou de mulher
Às vezes, veste homem
Mas acima de tudo
Sente humano
Um jeito novo de Ser e sentir o mundo
Chega mais se quiser saber como é
Deixe as amarras
Você consegue
Eu falo de mulher pra mulher
Eu consegui
Vamos descobrir as Brumas
Renascer de peito aberto
De topless moral
Sem medo, sem amarras
Seremos um povo novo
De corações fortes e vida simples
De mulheres verdadeiramente femininas
Feminivivas!
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