Pular para o conteúdo principal

A CATEDRAL

 
Todas as minhas impressões aqui são toscas, desprovidas de profundidade e, embora tenha me entusiasmado em ler mais sobre os sete projetos que disputaram Brasília, os porquês, as inspirações, tento nesse momento olhar tudo apenas com a minha desfigurada visão de leiga, forasteira, de quem olha e sente antes mesmo de enxergar. A tal da primeira impressão. 

Mas, falando da Catedral, de fora, uma coroa. Como se ela tivesse mesmo sido premiada, escolhida para estar ali, próxima ao poder.

O vazio que ela propõe, iluminado pelo reflexo dos vitrais remete à introspecção profunda. Talvez aquele vazio para onde as religiões deveriam nos conduzir. Onde encontramos a nossa sujeira interna e temos a chance de expurgá-la para então enxergar através dos nossos vitrais.

Ver Jesus ali, crucificado, pra variar, encheu meu vazio de mais e mais culpa. Os três anjões enormes, pendendo sobre nossas cabeças também me incomodaram. Parece coisa de natal. Eu gostei tanto do vazio, que tudo me incomodou. A réplica de Pietá de Michelangelo, parece que, a única do mundo, foi o 'golpe final'. Mais culpa. Uma mãe que carrega o filho morto nos braços, fruto da tirania humana. Não ali. No vazio sagrado. Não combinava.

Resumindo, não bateu em mim a catedral. São os vazios difíceis de compreender de Brasília. Foram logo metendo coisa lá dentro e quando você acolhe o vazio, já vai sendo invadido e daí desviado. Deve ser a minha resistência em encontrar nossa sujeira íntima.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Status

Parte de mim é amor e a outra é ilusão. O exercício de viver é alargar as margens da primeira até que a outra simplesmente vire a uma. Tem dias que somos mais a primeira, tem dias que estamos na fronteira. Tem dias que somos pura beira. Não cobro e não ligo, olho pro lado e digo: nem vem, que eu sei voltar pra lá. É uma maré que sobe e desce, movida pelos sentimentos que são movidos pelos pensamentos. Já fui tsunami, já fui lagoa, fá fui até sertão, mas eu sei, é tudo condição. É passageiro. Eu sou passageiro, e também o mar, e também o chão. Ah essa Tao evolução, que cresce dentro da desconstrução. Esse tudo que busca se preencher de nada. Essa divisão que nos insiste, condição de alma triste, de um ego que se alimenta e se maquia de presente. E a união ali latente, aguarda soberana o fundir do último átomo, o ruir da última ilusão. Metade de mim é vida, a outra metade é desconstrução. 

DA IMPERMANÊNCIA DAS COISAS

Prefiro Ter uma reflexão filosófica sobre tudo, do que Ser aquela velha opinião formada sobre o mundo.

A VIDA É A ARTE DA DESCONSTRUÇÃO

Olhado assim, friamente, nem sei quantas vezes devo ter fugido de mim. Eu era tão assim e hoje me vejo tão assado. Aventura ou segurança? Não, apenas a segurança de viver na aventura ou não. Chova ou faça frio, vai ser sempre Sol. Amor ou paixão? Não, mas um certo estranhamento para ambos. Quem sabe eu não queira concluir. Já vivi tantas variações deste tema, que saí até do tom. Virou indiferença social, distância, silêncio. Complacência, carinho, amizade, mas nunca ingratidão. Pra quê resumir o amor e definir a paixão? Quem sabe quais as combinações possíveis? Hoje me enamoro da solidão, que me abraça como sou, que permite abrir qualquer livro, a qualquer hora, que me dá o bônus da não maquiagem, do tempo dedicado aos mais próximos, dos quais já me ausentei brevemente. Flerto com essa liberdade, de cima de uma montanha bem alta, que parece ser única e só caber um alguém. E, daqui de cima, ninguém verá como eu. E tudo bem. Sucesso ou missão? Não sei. O sucesso mais fo...