Mas, falando da Catedral, de fora, uma coroa. Como se ela tivesse mesmo sido premiada, escolhida para estar ali, próxima ao poder.
O vazio que ela propõe, iluminado pelo reflexo dos vitrais remete à introspecção profunda. Talvez aquele vazio para onde as religiões deveriam nos conduzir. Onde encontramos a nossa sujeira interna e temos a chance de expurgá-la para então enxergar através dos nossos vitrais.
Ver Jesus ali, crucificado, pra variar, encheu meu vazio de mais e mais culpa. Os três anjões enormes, pendendo sobre nossas cabeças também me incomodaram. Parece coisa de natal. Eu gostei tanto do vazio, que tudo me incomodou. A réplica de Pietá de Michelangelo, parece que, a única do mundo, foi o 'golpe final'. Mais culpa. Uma mãe que carrega o filho morto nos braços, fruto da tirania humana. Não ali. No vazio sagrado. Não combinava.
Resumindo, não bateu em mim a catedral. São os vazios difíceis de compreender de Brasília. Foram logo metendo coisa lá dentro e quando você acolhe o vazio, já vai sendo invadido e daí desviado. Deve ser a minha resistência em encontrar nossa sujeira íntima.
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