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HOJE QUERO SER HUMANO - 2008/2011 Porque definitivamente, as picuinhas femininas cansam

Hoje quero ser humano

Tirar o sexo feminino



E vestir nada


Quero expor todas as vísceras e as mágoas


Os sorrisos e os sentimentos


Quero ser vista nua


De pele e de textura


Quero só o dentro


Sem casca nem membro


Quero ser vista apenas como


Eu


Sem pré, nem pós requisitos


Quero ser compreendida


Enxergada


Hoje quero ser visível


Quero ser Humano


Nem homem, nem mulher


Sem manobra de perpetuação de espécie


Só eu mesma


Só eu nessa


Só Eu


Hoje quero ser Humano


Nem barriga, nem bunda


Nem peito, nem cicatriz


Quero ser coração


Quero ser errante


Quero ser feliz


Sem julgar


Sem julgadas


Apenas Eu aprendiz


Que hoje quer ser Humano


E quer também ser o que diz


Que se hoje sei Ser Humano


Sou menos aprendiz


Por que a lição não vai além disso


De ser o que diz


Que hoje sei Ser Humano

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Parte de mim é amor e a outra é ilusão. O exercício de viver é alargar as margens da primeira até que a outra simplesmente vire a uma. Tem dias que somos mais a primeira, tem dias que estamos na fronteira. Tem dias que somos pura beira. Não cobro e não ligo, olho pro lado e digo: nem vem, que eu sei voltar pra lá. É uma maré que sobe e desce, movida pelos sentimentos que são movidos pelos pensamentos. Já fui tsunami, já fui lagoa, fá fui até sertão, mas eu sei, é tudo condição. É passageiro. Eu sou passageiro, e também o mar, e também o chão. Ah essa Tao evolução, que cresce dentro da desconstrução. Esse tudo que busca se preencher de nada. Essa divisão que nos insiste, condição de alma triste, de um ego que se alimenta e se maquia de presente. E a união ali latente, aguarda soberana o fundir do último átomo, o ruir da última ilusão. Metade de mim é vida, a outra metade é desconstrução. 

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