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ESCOLHAS - 2008

Questão de arte ou de sorte?



Nescafé ou Nescau?


Amor ou paixões?


Apostar tudo em uma ficha ou apostar em todas as fichas?


Como seguir em paz?


Responde aí quem for hábil nas escolhas...


Sei tudo que não quero


E percebo que não basta


É preciso querer algo, alguém


Mas nós amamos o torto


Somos tortos


E quando dizer não ao próprio sentimento?


A razão de milhares de vidas é que temos um ponto de saturação


Dali pra frente não conseguimos mais evoluir sem esquecer o passado


E todas as escolhas passam a ser um fardo, cheias de medo e de conflitos


Acho que vou tomar um remédio


E esquecer tudo


E nascer de novo


Com trinta, claro


Mãe do Dimitri


E livre


Como aos 18 anos


Quando ninguém e nada me aprisionava


E eu era dona do meu coração


Da minha alma


E tinha sonhos


Pra caramba


E não soube realizá-los


Não saltei


Não fiz dança de salão


Não fui para Europa


Não corri a meia maratona


Não tenho uma máquina


Nem uma carro


Nem um quarto


Nem autonomia pra ser eu mesma


Nem deixei de fazer tudo isso por um amor verdadeio


Por alguns meio amores talvez


Que hoje só são passado


Alguém me responde


Alguém me mostre


Como escolher


Eu quero Nescafé com alegria


Pode ser açúcar com afeto


E leite quente com lealdade

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Parte de mim é amor e a outra é ilusão. O exercício de viver é alargar as margens da primeira até que a outra simplesmente vire a uma. Tem dias que somos mais a primeira, tem dias que estamos na fronteira. Tem dias que somos pura beira. Não cobro e não ligo, olho pro lado e digo: nem vem, que eu sei voltar pra lá. É uma maré que sobe e desce, movida pelos sentimentos que são movidos pelos pensamentos. Já fui tsunami, já fui lagoa, fá fui até sertão, mas eu sei, é tudo condição. É passageiro. Eu sou passageiro, e também o mar, e também o chão. Ah essa Tao evolução, que cresce dentro da desconstrução. Esse tudo que busca se preencher de nada. Essa divisão que nos insiste, condição de alma triste, de um ego que se alimenta e se maquia de presente. E a união ali latente, aguarda soberana o fundir do último átomo, o ruir da última ilusão. Metade de mim é vida, a outra metade é desconstrução. 

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